FINEP aporta R$ 3 milhões em gêmeo digital para IoT da indústria 4.0

18/06/2021

Um grupo de empresas pernambucanas formado pela In Forma, especializada em tecnologia da informação para Gestão de Ativos de infraestrutura, DI2WIN, especializada em Inteligência Artificial para Gêmeos Digitais, e pelo CESAR, centro de inovação do país, especialista em transformação digital e Internet of Things (IoT), recebeu a primeira parcela do aporte de R$ 3 milhões concedidos pela agência Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para desenvolver um Gêmeo Digital da Indústria 4.0. O objetivo é modernizar a gestão das utilidades industriais no Brasil e no mundo.

A proposta é aumentar a capacidade de produção industrial, com ganhos de eficiência energética, sustentabilidade ambiental e qualidade da produção, além de reduzir perdas de produção e desgaste precoce de máquinas. Para obter tantos benefícios, o projeto vai melhorar a alimentação de energia elétrica, de água, de vapor, de calor, de combustível e outras utilidades e também o tratamento dos efluentes com impacto ambiental.

O ponto focal da melhoria está em criar um gêmeo digital, que é um software que reproduz o comportamento e as características das instalações industriais no mundo eletrônico. Assim, pode-se analisar, simular e até predizer o comportamento futuro dos equipamentos sem precisar fazer experimentos físicos sobre eles.

Mais ainda, o gêmeo digital pode estar ligado a sensores que monitoram as instalações físicas, de maneira que esteja permanentemente atualizado sobre o estado dos equipamentos. Isso permite reagir em tempo real às variações nas condições de funcionamento da planta industrial, reduzir perdas e mitigar riscos de catástrofes. Essa estrutura de sensoriamento, transmissão de sinais e tratamento deles com inteligência artificial é chamada de IoT ou Internet das coisas. IoT pode revolucionar o desempenho dos ativos industriais e é isso que In Forma, DI2WIN e CESAR estão buscando.

As atividades do projeto se iniciaram desde 2020 e foram aceleradas com o recebimento dos recursos da Finep. A primeira etapa tem previsão de término em setembro, quando o primeiro MVP ou Produto Mínimo Viável estará instalado em algumas clientes-anjo, que são indústrias interessadas em servir de laboratório para essa revolução na gestão das suas utilidades. Ao longo do projeto serão desenvolvidos quatro MVPs.

A experiência de mais de 20 anos da In Forma na gestão da operação e manutenção deste tipo de ativo mostra que o custo de uma manutenção de urgência é entre 20 a 100 vezes maior que o custo da mesma manutenção feita de forma programada. Isto se deve às dificuldades logísticas como mobilizar recursos humanos, materiais e serviços de terceiros de forma emergencial e o custo da falha ocorrida, incluindo a perda do ativo ou a redução do seu tempo de vida.

“Em especial, nos setores regulados, o custo da falha pode ser muito alto porque está relacionado à indisponibilidade de serviços essenciais e sem reposição. Então, as falhas tanto podem gerar perda de faturamento como penalidades contratuais ou regulatórias”, afirma o CEO da In Forma, Ismar Kaufman.

Segundo ele, a plataforma de virtualização proposta avança conceitos de engenharia e gestão de ativos criando uma ponte entre áreas tradicionais da indústria e a ciência de dados avançada. “Mais que um ambiente de réplica virtual, a solução se propõe a integrar indústrias em diferentes estágios tecnológicos, com diferentes tecnologias de aquisição de dados, visualização e modelagem, análise de dados complexos e em tempo real, que permita predições e prescrições autônomas”, conclui.

Por sua vez, o diretor da DI2WIN, Paulo Tadeu Araújo, explica que uma das principais metas do projeto é buscar gêmeos digitais cognitivos que possam evoluir os conceitos anteriores na direção de prescrições autônomas com base em ações, correlações e resultados passados. “Este modelo permitirá a criação de réplicas digitais multifacetadas do ambiente virtualizado integrada com a tecnologia, a orientação a serviços, a modularidade, a descentralização e a interoperabilidade da Indústria 4.0”.

Para o diretor do CESAR, Benedito Macedo, o grande mérito da proposta é auxiliar no sentido da ampliação da competitividade do parque industrial brasileiro. “O produto tem o mérito de transformar a manutenção preventiva em manutenção preditiva. Neste sentido, é possível alcançar níveis de eficiência e de custos capazes de colocar a indústria brasileira em um novo patamar de competição”, argumenta.

Fonte: Convergência Digital